Cinco erros que devem ser evitados no preparo da pele

“Nosso papel no preparo da pele de um paciente é fundamental,” enfatiza a especialista sênior de Prática Perioperatória, Amber Wood. “Como defensora de pacientes, é responsabilidade do enfermeiro perioperatório assegurar que o preparo da pele do paciente seja seguro e efetivo na prevenção de infecções, feridas ou desenvolvimento de uma reação alérgica”. É importante que enfermeiros perioperatórios atualizem seu conhecimento sobre as práticas baseadas em evidências atuais para preparo seguro da pele, e que tenham liberdade para falar quando os recursos dos quais precisam não estiverem disponíveis ou as preferências de médicos contradisserem as evidências.

ERROS QUE DEVEM SER EVITADOS

Há cinco erros comuns que ocorrem na prática perioperatória do preparo da pele no dia a dia, que enfermeiros devem estar alertas para não cometer, assim como evidências que embasam práticas seguras que eles devem conhecer:

Erro #1: Diluição ou mistura de antissépticos

Em alguns casos, como na preparação do olho que requer o uso de iodopovidona a 5%, alguns locais compram a solução com concentração de 10% e pedem que os enfermeiros diluam o antisséptico no quarto do paciente. Isso pode criar o risco de contaminação ou diluição inapropriada do iodo.
Como proceder da forma correta: A diluição da iodopovidona a 5% está disponível no mercado. Mas se o local tiver somente a concentração a 10% disponível, o enfermeiro perioperatório deve trabalhar em conjunto com colegas farmacêuticos para diluir a iodopovidona, de acordo com os padrões farmacêuticos da “USP 797” (NT: “United States Pharmacopeia” – Farmacopeia norte-americana).

Fonte: Consultar as “Recommendations IV. b.” (Recomendações IV. b.) e “V.a.” (V.a.) no “AORN’s 2016 Skin Antisepsis Guideline” (Manual de Orientação para Antissepsia da Pele da “AORN”, 2016).

Erro #2: Falta de plano alternativo para o paciente alérgico

Quando um paciente for alérgico ao antisséptico normalmente usado, deve-se escolher uma alternativa viável. Isso pode ser um desafio se houver somente um antisséptico que é normalmente usado em procedimentos no local.
Como proceder da forma correta: Um grupo multidisciplinar dirigido pelo enfermeiro perioperatória, deve avaliar a opção mais segura nesses casos. Uma abordagem alternativa a ser utilizada para um paciente alérgico deve ser determinada por um protocolo pré-existente. Também é importante saber o que desencadeia uma reação alérgica. Ela é causada por uma via de exposição (lembre-se de que o antisséptico será absorvido mais rapidamente através de uma membrana mucosa do que da pele intacta) ou poderia ser a frequência de uso, como em um paciente queimado que precise de várias aplicações do antisséptico ou pele não intacta? Também é importante mencionar a possibilidade de alergias ao iodo, clorexidina e álcool.

Fonte: Consultar as “Recommendations III. b.1.” (Recomendações III. b.1) no “AORN’s 2016 Skin Prep Guideline” (Manual de orientação para Preparação da Pele da “AORN”, 2016).

Erro #3: Comprometimento da tintura

Depois que um enfermeiro esfrega o local cirúrgico com iodopovidona a 7,5% e o seca com toalha esterilizada, ele precisa cobri-lo corretamente com iodopovidona a 10% e deixá-lo secar. O erro ocorre quando o enfermeiro coloca tintura demais no local e o seca, removendo a quantidade de antisséptico necessária para que seja eficiente.
Como proceder da forma correta: Tinja o local com a quantidade adequada de solução antisséptica, deixe que ela haja em contato com a pele pelo tempo adequado e, então, a seque de acordo com as instruções do fabricante.

Fonte: Consultar as “Recommendations IV. e” (Recomendações IV.e) no “AORN’s 2016 Skin Prep Guideline” (Manual de orientação para Preparação da Pele da “AORN”, 2016).

Erro #4: Não usar mangas compridas para fazer o preparo

Enfermeiros perioperatórios devem se preocupar se suas mangas ficarem sujas durante o plantão. Pode ser, ainda, mais preocupante as mangas do avental serem grandes demais. Às vezes, enfermeiros sobem as mangas para fazer o preparo, mas braços expostos com potencial para descamação da pele sobre o local cirúrgico podem representar uma fonte de contaminação. Atualmente, não existem evidências de que mangas compridas possam ser fontes de contaminação. Também é possível que o enfermeiro ache, incorretamente, que o antisséptico aplicado sobre o local cirúrgico destrua toda contaminação criada pela descamação da pele dos braços sobre ele, mas isso não é verdade.
Como proceder da forma correta: Os supervisores perioperatórios precisam certificar-se de que todos os enfermeiros estejam vestindo aventais do tamanho apropriado, que lhes permita usar a manga abaixada o tempo todo, sem que isso interfira no cuidado fornecido ao paciente.

Fonte: “Recommendation IV. c.3” (Recomendação IV. c.3) no “AORN’s 2016 Surgical Attire Guideline” (Manual de orientação para Vestuário Cirúrgico da “AORN” 2016).

Erro #5: Não utilizar equipamento ergonômico para apoiar os membros dos pacientes durante o preparo

Enfermeiros não podem fazer uso de equipamentos, como um suporte para perna, para sustentar adequadamente o membro de um paciente durante o preparo. Tais equipamentos podem impedir que músculos dos enfermeiros fiquem fatigados ao segurar o membro assim como auxiliar na segurança de um preparo da pele completa.
Como proceder da forma correta: Recorra ao “AORN’s Safe Patient Handling Toolkit” (Conjunto de ferramentas para Manipulação Segura de Pacientes da “AORN”) para verificação do peso do paciente, associado à necessidade de instrumentos ergonômicos de suporte. Lembre-se de que até em ambientes para tratamento pediátrico pode ser necessário utilizar equipamentos ergonômicos para certos pacientes. Planeje ações antecipadamente e assegure-se de que os instrumentos estejam prontos para uso e com acesso fácil.

Fonte: “Recommendation IV. h” (Recomendação IV. h) no “AORN’s 2016 Skin Prep Guideline” (Manual de orientação para Preparação da Pele da “AORN”, 2016). Verbalize suas necessidades e planeje com antecedência Amber afirma que planejamento e conhecimento adequado dos produtos que os enfermeiros perioperatórios utilizam são essenciais para que se conheça com clareza as instruções de uso desses produtos, tempos de secagem, assim como as políticas e procedimentos que reduzem o risco de ocorrência de erros no preparo da pele.
Ela também diz que os enfermeiros precisam ter evidências para questionar os pedidos que cirurgiões fazem para preparos da pele que contradigam a política ou as instruções de fabricantes. “Tente evitar as batalhas nos quartos de pacientes, tendo conversas proativas com supervisores da enfermagem, médicos e supervisores médicos ao abordar evidências e instruções de fabricantes em conjunto, e estar de acordo quanto às melhores práticas”, aconselha Amber.

 

FONTES ADICIONAIS

Procure evidências que apoiem o preparo da pele segura no “AORN’s 2016 Guidelines for Perioperative Practice” (Manual para a Prática Perioperatória da AORN 2016).

PARA GERENTES

Compartilhe este “Safe Patient Handling Toolkit” (Conjunto de ferramentas para Manipulação Segura de Pacientes) com seus funcionários para assegurar o uso de equipamentos ergonômicos para o preparo da pele quando indicado. Fonte: Association of periOperative Registered Nurses Tradução: SOBECC Nacional



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