Garantir a passagem de plantão eficaz do paciente no contexto perioperatório

As passagens de plantão ocorridas no atendimento ao paciente no ambiente perioperatório requerem comunicação ideal eficaz entre os membros da equipe. De acordo com Ashley Brown, BSN, RN, CNOR, Enfermeira de perioperatório, uma qualidade efetiva, continuidade da assistência e segurança do atendimento ao paciente devem ser mantidas em todos os locais de atendimento. “Os pacientes se beneficiam das passagens de plantão, pois o atendimento é individualizado e to dos os membros da equipe são informados e capacitados para prestar o melhor atendimento”, diz. “Os funcionários se beneficiam ao receber as informações dos pacientes, o que lhes permite trabalhar por eles”. Embora os princípios-chave para a passagem de plantão sejam os mesmos em todas as etapas, cada departamento tem sua própria composição de equipe, métodos de comunicação, políticas e desafios. As passagens de plantão no ambiente perioperatório podem ser particularmente complexas porque envolvem pessoal em vários departamentos, pacientes que normalmente não podem participar do processo e uma grande quantidade de informações; o ambiente pode ser barulhento e caótico; e a equipe geralmente presta assistência ao paciente simultaneamente. Brown diz que outras complexidades podem incluir questões de gerenciamento de tempo e variações nas rotinas dos funcionários. “No cenário perioperatório, a otimização do tempo é extremamente priorizada e os funcionários podem se sentir apressados”, afirma. “Por exemplo, os enfermeiros pré-operatórios já podem admitir o próximo paciente enquanto tentam entregar o primeiro ao enfermeiro da sala de cirurgia. As enfermeiras do andar podem concluir tarefas de final de turno enquanto tentam gerenciar pacientes agendados para o primeiro procedimento do dia. Apesar da importância de passagens de plantão efetivas, as falhas no processo continuam sendo um problema comum. Os erros podem incluir falta de foco ou estrutura e transmissão de informações em excesso, imprecisas, incompletas ou mal interpretadas, o que pode resultar em resultados negativos para o paciente. As evidências sugerem que a padronização do processo de transferência pode aumentar a precisão das informações,aprimorar a comunicação entre o pessoal e melhorar a segurança do paciente.

 

Recomendações

A AORN recomenda que as organizações de assistência à saúde montem uma equipe interdisciplinar para estabelecer e implementar o processo de transferência em todas as fases e locais do atendimento ao paciente no perioperatório. De acordo com Mary C. Fearon, MSN, RN, CNOR, diretora de linha de serviços para neurociências da Eastside Health Alliance em Bellevue, Washington, essa equipe é valiosa por criar um processo que tem significado para todos. “Você precisa reunir um grupo interdisciplinar para criar adesão ao processo”, reforça. O processo deve ser individualizado para a população de pacientes e o nível de acuidade, e cada membro da equipe deve receber responsabilidades. O pessoal responsável pela transferência deve alertar o pessoal receptor sobre as necessidades de transferência e possíveis equipamentos, e tarefas urgentes devem ser concluídas antes de comunicar as informações do paciente. Apenas uma pessoa deve falar por vez, com a conversa limitada a informações específicas do paciente e incorporando documentação de suporte, como resultados de exames. Distrações e interrupções devem ser minimizadas, sendo necessário ter tempo suficiente para compartilhar preocupações e fazer perguntas. Questionar e confirmar o que você ouviu é um componente essencial para tornar a entrega mais eficaz”, diz Fearon. “Não é apenas ouvir e falar nas informações; trata-se de validá-las e verificá-las para ajudar a garantir que todos entendam e estejam na mesma sintonia. ” Para comunicação de entrega, a AORN recomenda o uso do método de read-back, além de ferramentas, listas de verificação ou protocolos padronizados de entrega. “O uso de listas de verificação e outras ferramentas permite que os enfermeiros cubram os pontos principais para um atendimento eficiente e seguro ao paciente”, disse Brown.

“Aqueles que são incorporados ao prontuário eletrônico da saúde são particularmente úteis, porque as informações são alimentadas por várias disciplinas.” Exemplos de ferramentas existentes incluem o SBAR, que é uma ferramenta que estrutura a comunicação para reduzir chances de erros e omissões durante a passagem de plantão (ou seja, situação, histórico, avaliação, recomendação), procedimento SWTTCH (procedimento cirúrgico, pacote úmido instrumentais, tecidos, contagens, você tem alguma pergunta) e SURPASS (sistema cirúrgico de segurança do paciente). “Essas listas de verificação e ferramentas devem ser relevantes para toda a equipe e todos devem sentir que as informações são pertinentes e úteis para a população de pacientes”, diz Fearon. “As equipes podem precisar adaptar as opções existentes para atender às suas necessidades; por exemplo, se você apenas tiver casos de neurocirurgia, poderá adicionar perguntas sobre se o paciente tem um estimulador cerebral profundo e, se houver, se o gerador foi desligado”.

A Comissão Conjunta indica que os líderes da organização de assistência à saúde devam fazer com que as passagens de plantão efetivas sejam uma prioridade e uma expectati-

va de todo o pessoal, fornecendo apoio adequado, tempo e recursos orçamentários, inclusive para treinamento. Esse treinamento, que pode incluir feedback em tempo real, simulação e aprendizado independente, deve ser padronizado em todo o pessoal envolvido nas passagens de plantão, e os campeões selecionados devem fornecer reforço e incentivo positivos. Segundo Fearon, a educação continuada é crucial para criar e manter o sucesso de um processo de passagem de plantão altamente confiável. “Você precisa garantir que todos tenham sido treinados e conheçam as expectativas”, disse ela. “Você também deve garantir que o treinamento continue para todas as novas pessoas que participarem deste processo.” “É importante fornecer feedback para que os membros da equipe saibam se suas passagens de plantão são boas ou se, por exemplo, estão perdendo um componente-chave”, disse ela. Quando as pessoas são responsabilizadas, elas se envolvem mais no processo de entrega.”

 

Ferramentas de entrega

 Em um centro de saúde, uma equipe interdisciplinar foi preparada montada para desenvolver uma ferramenta formal para a entrega da unidade de anestesia para pós-anestesia. A ferramenta, destinada a orientar as remessas, mas não para ser escrita ou permanentemente registrada no prontuário eletrônico do paciente, foi disponibilizada como cartões de identificação, anexos aos computadores da unidade e folhas de anotações. Antes do uso da ferramenta, um dos cinco itens rastreados (procedimento, alergias, entrada e saída, antieméticos, sondas e cateteres) foi omitido entre 17 a 23% do tempo, em comparação com 0 a 11% do tempo após a implementação da ferramenta. O número de relatórios completos também aumentou de 13 para 82% após a implementação.

Um centro de cirurgia ambulatorial implementou uma ferramenta de passagem de plantão padronizado, que acompanhou os pacientes durante toda a estadia após

identificar a ocorrência de omissões de informações (por exemplo, alergias do paciente) durante a entrega do paciente que resultou em erros de medicação e descargas inadequadas. A ferramenta começou com a enfermeira no pré-operatório e foi preenchida com o prestador de cuidados subsequente a cada entrega. Do pessoal pesquisado, quase 90% acreditava que a ferramenta melhorava a comunicação entre os membros da equipe e permitia que eles apresentassem um relatório mais completo. Mais de 90% indicaram que consideram o processo de entrega mais eficiente após a implementação da ferramenta.

Outro hospital desenvolveu um sistema eletrônico padronizado de passagem de plantão para auxiliar na transferência verbal entre o departamento de emergência, recuperação pós-anestésica, unidade de terapia intensiva e outras unidades de internação. O sistema incluía uma lista de verificação que incorporava automaticamente a maioria das informações do prontuário eletrônico para reduzir a entrada de dados, com caixas de seleção e avisos usados quando possível. O sistema reduziu o tempo de passagem

de plantão em 48,6%, de 10,5 para 5,4 minutos. A satisfação, identificada pelas pesquisas de pessoal, aumentou de 69,4 para 79% e a percepção de completude da comunicação aumentou de 67,2 para 81,6%.

 

Conclusão

Passagens de plantão eficazes são essenciais para um atendimento seguro do paciente, mas podem ser particularmente complexas no ambiente perioperatório. Uma variedade de ferramentas, listas de verificação e protocolos, que podem ser adaptados à população de pacientes e à equipe cirúrgica, estão disponíveis para ajudar a estruturar

as passagens de plantão. Essas ferramentas padronizadas podem ser incorporadas à prática de várias maneiras, como cartões de lembrete impressos, listas de verificação que permanecem com o paciente ou sistemas de registros eletrônicos de saúde.

 

Fonte AORN JOURNAL
Julho de 2019 | Vol. 110, No 1



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