Planeje-se para reduzir distrações

Algumas distrações na sala de cirurgia são inevitáveis. Os sistemas cirúrgicos robóticos podem fazer barulho, assim como os instrumentos e dispositivos utilizados em procedimentos como cirurgias ortopédicas e neurológicas.

No entanto, é importante que a equipe perioperatória faça um exame mais sistemático sobre os ruídos e as distrações que podem ser controlados, de acordo com a diretora de Prática Perioperatória Baseada em Evidência da AORN, Lisa Spruce. Isso inclui assumir uma posição difícil nas abordagens mais seguras para o volume de música, o uso medido de dispositivos de comunicação eletrônicos e a aderência estrita ao controle de tráfego do ambiente cirúrgico.

Evidências da configuração perioperatória demonstram que o ruído e as distrações aumentam a possibilidade de resultados adversos do paciente no cenário perioperatório, desviando a atenção da tarefa atual de um membro da equipe, o que pode levar a omissões e falhas mentais. ¹¯²

"Sabemos que o ruído pode induzir o estresse e aumentar a pressão do trabalho, aborrecimento, fadiga, exaustão emocional e burnout, e pode criar uma barreira para a comunicação clara. Sabemos, também, que 70% dos eventos adversos nos cuidados de saúde são remontados aos erros de comunicação” ³, compartilha Spruce.

Ela diz que muitas vezes os enfermeiros perioperatórios podem aceitar distrações e ruídos como parte do trabalho. No entanto, "todos os membros da equipe precisam reconhecer os riscos que acompanham o aumento do ruído e as distrações, bem como o seu papel na redução do ruído e das distrações, responsabilizando-se pelos outros membros da equipe".

 

Números

Spruce diz que o primeiro passo no controle de ruído e distração na sala cirúrgica é reconhecer o quão alto e distorcido o Centro Cirúrgico (CC) pode ser. Por exemplo, um estudo que avaliou o ruído e a distração no CC durante os procedimentos de trauma descobriu que o nível de ruído era de 85 decibéis (dB), com uma faixa de 40 a 130 dB. 4

Para referência, estima-se que um trovão seja de 120 dB e o tímpano pode romper com um ruído de 150 dB. Além disso, para uma comunicação eficaz na sala de cirurgia, a voz precisa ser 10 dB maior do que o ruído envolvente. 5

Enquanto isso, o NIOSH recomenda não mais de 85 dB de exposição ao ruído para uma mudança de oito horas sem proteção auditiva. 6

No mesmo estudo de cirurgias de trauma, o número médio de interrupções e distrações foi de 60,8 para cada cirurgia, com uma faixa de cinco a 192. As principais causas de distrações e interrupções foram membros da equipe entrando e saindo da sala, alarmes de equipamentos, conversas paralelas, e telefones ou pagers. 4

 

Planejando à frente

“É necessário criar um plano perioperatório multidisciplinar para estabelecer práticas seguras para gerenciar e reduzir o ruído e a distração, considerando as necessidades e preocupações de todos os membros da equipe e apoiar a responsabilidade multidisciplinar pela aderência ao plano”, afirma Spruce.

Aqui estão três movimentos que a equipe multidisciplinar deve fazer para reduzir o ruído e a distração na sala cirúrgica:

 

Limpar as comunicações pessoais desnecessárias

Estabeleça controles para o uso de telefones e dispositivos sem fio, atividades eletrônicas, como mensagens de texto, e-mails ou envolvimento em atividades de mídia social nos CC. O uso não disciplinado de dispositivos celulares no CC, por qualquer membro da equipe perioperatória, pode distrair e afetar o atendimento ao paciente.

 

Implementar um briefing pré-operatório

O briefing é um episódio de comunicação que ocorre antes da cirurgia como forma de todos os membros da equipe cirúrgica comunicarem as necessidades e os detalhes do caso, como a posição do paciente, a duração cirúrgica e quaisquer necessidades especiais para o caso, que possa ser preparado antes da cirurgia começar, e não durante o caso.

 

Monitorar a porta da Sala Cirúrgica

O controle de tráfego na Sala Cirúrgica é amplamente reconhecido como uma abordagem segura para reduzir o risco de infecção. Com um briefing pré-operatório bem estabelecido, as equipes devem experimentar menos necessidade de sair e retornar para a sala de cirurgia. Essas mesmas medidas de controle podem ser eficazes no estabelecimento de regras de porta para quem pode entrar e criar distrações.

 

"Está certo para um membro da equipe lembrar outro membro sobre os riscos de barulho e distrações", afirma Spruce. "Muitas vezes, são simplesmente maus hábitos; temos que nos apoiar mutuamente, a fim de mudar para melhor".

 

RECURSOS ADICIONAIS

 

Leia mais sobre práticas baseadas em evidências para reduzir o ruído e a distração perioperatórios nas Diretrizes da AORN, em Ambiente de Cuidados Seguro - Parte II e Diretrizes para Comunicação em Equipe, e saiba mais sobre os perigos do ruído e da distração perioperatórios na Declaração de Posição da AORN sobre Gerenciando Distrações e Ruídos Durante o Cuidado do Paciente Perioperatório.

 

REFERÊNCIAS

  1. Jorm CM, O’Sullivan G. Laptops and smartphones in the operating theatre—how does our knowledge of vigilance, multi-tasking and anaesthetist performance help us in our approach to this new distraction? Anaesth Intensive Care. 2012; 40(1):71-8.
  2. Feuerbacher RL, Funk KH, Spight DH, Diggs BS, Hunter JG. Realistic distractions and interruptions that impair simulated surgical performance by novice surgeons. Arch Surg. 2012; 147(11):1026-30.
  3. Update: Sentinel event statistics. Jt Comm Perspect. 2006;26(10):14-5.
  4. Pereira BM, Pereira AM, Correia Cdos S, Marttos AC Jr, Fiorelli RK, Fraga GP. Interruptions and distractions in the trauma operating room: understanding the threat of human error. Rev Col Bras Cir. 2011;38(5):292-8.
  5. Oliveira CR, Arenas GW. Occupational exposure to noise pollution in anesthesiology. Rev Bras Anestesiol. 2012;62(2):253-61.
  6. Chen L, Brueck SE. Health hazard evaluation report: evaluation of potential noise exposures in hos- pital operating rooms, Morgantown, WV [NIOSH HETA No. 2008-0231-3105]. Cincinnati, OH: US Department of Health and Human Services, Centers for Disease Control and Prevention, National Institute for Occupational Safety and Health; 2010.

 

Data de publicação: 24 de janeiro de 2018

Tradução: SOBECC Nacional



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