Ferramentas para melhora no controle de tráfego

Você ficaria surpreso ao saber que as portas do seu CC se abrem a cada 90 segundos durante um procedimento?

 

Coordenadores perioperatórios do Centro Médico Eisenhower (Eisenhower Medical Center) na cidade de “Rancho Mirage”, na Califórnia (EUA), surpreende­ram-se ao constatar uma alta frequência de tráfego no Centro Cirúrgico (CC), por meio de dados coletados em uma avaliação que fizeram em 2015 após percebe­rem o aumento do número de Infecções em CC (ICC), diz a educadora clínica perioperatória Cera Salamone.

Ainda que a taxa de crescimento de ICC estivesse abai­xo do padrão de referência, este crescimento do núme­ro de infecções fez com que Salamone e seus colegas na coordenação de serviços perioperatórios e preven­ção de infecções explorassem a possibilidade do tráfe­go ser uma possível causa disso. Eles desenvolveram uma ferramenta de avaliação de tráfego bem simples, que modificou o trabalho dos funcionários, durante a observação de casos cirúrgicos. Ela consistia no regis­tro de cada abertura de portas no CC durante um pro­cedimento, assim como de quem as abria.

Além de observar a frequência do tráfego, os funcioná­rios que faziam a pesquisa notaram que, muitas vezes, as portas eram abertas por outros funcionários, que sim­plesmente queriam fazer perguntas como: “Vocês preci­sam de ajuda?” ou “Vocês precisam fazer um intervalo?”

“Quando se trabalha em um ambiente de CC diariamen­te, não se percebe que o tráfego está maior que usual­mente, porque tudo isso faz parte da prática do dia a dia”, observa Salamone. “Avaliar o tráfego local realmen­te abriu nossos olhos para o risco potencial que os pa­cientes estão correndo”.

Estes dados sobre tráfego foram compartilhados com um grupo de alunos do “Periop 101”, que utilizaram as descobertas obtidas para aprimoramento de um pro­jeto para melhora de qualidade, desenvolvido para di­minuir o tráfego do CC. Para começar, os alunos co­letaram evidências sobre os efeitos prejudiciais do tráfego intenso no CC. Um estudo que avaliou o trá­fego em CC em relação a resultados obtidos com pa­cientes, concluiu que somente 25% dos pacientes submetidos à cirurgia para substituição articular total, que desenvolvem infecção na articulação após a ci­rurgia, voltam para casa.1

Desde que 40% dos casos cirúrgicos do Centro Médico Eisenhower são ortopédicos, este estudo inspirou os alunos a abordar este projeto diligentemente, para que o tráfego intenso no CC fosse eliminado como um possível fator contribuinte para resultados de cirurgias abaixo do ideal, incluindo infecções, explica Salamone.

Implementando controle do tráfego

O grupo decidiu utilizar taxas atuais de ICC do último tri­mestre fiscal de 2015 como métrica de base na compa­ração do período anterior e posterior da implementação de um protocolo baseado em evidência para minimiza­ção do tráfego em CC. Como parte da elaboração desse protocolo, os alunos, Salamone e outros coordenado­res perioperatórios fizeram reuniões com funcionários em gerência para compartilhar os dados das avaliações, assim como as evidências sobre os padrões recomen­dados para o tráfego em CC e políticas organizacionais, para iniciar conversas que visassem descobrir as causas principais do alto fluxo de tráfego em seus CC.

Eles descobriram que enfermeiros não sentem que têm autonomia para falar com franqueza sobre aber­turas de portas não essenciais. Eles também descobri­ram que cartões preferenciais estavam desatualizados e, em muitos casos, especialmente em CC ambulato­riais, precisavam de itens que não estavam disponíveis no local de uso.

“Também descobrimos discrepâncias sobre os acer­tos pré-operatórios feitos com cirurgiões para escla­recimento do que seria necessário para a cirurgia”, diz Salamone. “Obter estes insights da coordena­ção foi muito importante para o projeto, não somen­te para compreensão dos empecilhos para um bom controle de tráfego, mas também para que aprendês­semos como adequar e aplicar soluções para o con­trole de tráfego”.

Foram desenvolvidas sete intervenções específicas para controle de tráfego, implementadas pelo gru­po de alunos do “Periop 101”, com a colaboração de Salamone, cirurgiões e outras partes interessadas na prevenção de infecção e controle de materiais (para supervisão de ações de controle de tráfego que afe­tassem representantes). Essas intervenções incluem:

1. Elaborar placas laminadas para portas em casos específicos

Tais placas incluem linguagem acordada, padrão para indicação de entrada controlada, com palavras como “não entre” ou “isolamento”.

2. Instalar quadros para recados na porta do CC para mensagens de última hora

Este recurso serve para notas rápidas relacionadas a um caso específico, como certos números de ramais de funcionários para que seja possível falar com al­guém que esteja trabalhando dentro do CC.

Ensinar sinais de mãos universais

Ao utilizar a Linguagem de Sinais Americana, o grupo ensinou formas específicas de sinalização para co­municar perguntas como: “Vocês precisam de aju­da?” ou “Vocês precisam fazer um intervalo?”, que fo­ram sinalizadas através da janela de vidro do CC.

3. Criar um treinamento para representantes online a ser revisado à chegada

Em colaboração com colegas que gerenciam ma­teriais, membros do grupo do projeto desenvolve­ram um treinamento baseado em evidência, que representantes da indústria utilizam presentemen­te como condição para adquirirem um crachá de acesso às instalações.

4. Promover encontros para instruções pré-operatórias padrão com o cirurgião

Estes encontros devem ocorrer entre os funcioná­rios do CC e cirurgiões para confirmação de ne­cessidades especiais de cada caso, para que se prepare e adquira todo o material a ser usado an­tes do início do procedimento.

5. Atualizar cartões de preferência

Este trabalho tem sido feito como parte de um projeto maior, que objetiva a transferência para um novo sistema de registro de saúde eletrônico, e um dos seus objetivos é fazer cartões sob me­dida para que haja redução na necessidade de au­sência da sala durante um procedimento.

6. Desenvolver uma linguagem de script para solicitar que pessoas não essenciais deixem o CC

Esta linguagem de script foi desenvolvida em cola­boração com vários enfermeiros, cirurgiões e outros membros do grupo, para que houvesse um meio de comunicação não ameaçador, que qualquer funcio­nário pudesse utilizar, para ser firme quando achasse

que uma pessoa deveria sair do CC. Seguem alguns exemplos desta linguagem de script:

“Com a segurança do paciente em mente, vou pedir que saia desta sala neste momento”.

“Agradeço sua ajuda, mas acho que posso continuar sozinho daqui para frente”.

“Entendo que este é um caso raro e interessante, mas infelizmente terei que pedir que saia porque já temos todos os membros do time que precisamos nesta sala”.

Vendo e mantendo resultados

Após extenso treinamento dos funcionários e imple­mentação do projeto, todos os membros do grupo dedicaram-se ao máximo para seguir as novas regras de tráfego e, assim, as taxas de ICC tiveram um de­créscimo de 40% no primeiro trimestre de 2016, reco­nhece Salamone. Ela diz que manter este mesmo ní­vel de adesão inicial às medidas de controle de tráfego tem sido um desafio. Um ano após a implementação, as taxas de ICC têm permanecido em decréscimo es­tável de 15%-20% da linha de base que também ficou abaixo da marca de referência. Estas taxas também fo­ram influenciadas por outras práticas utilizadas como auditoria na preparação pré-operatória da pele e atua­lização do treinamento.

Salamone e seus colegas coordenadores continuam abordando o controle de tráfego seguro por meio de treinamento regular e atualizações das taxas de ICC. Ela diz, “Coordenadores da área perioperatória de­sempenham um papel crítico na manutenção das prá­ticas para um controle de tráfego seguro ao ajudar membros do grupo a não voltarem à prática de ve­lhos hábitos”.

Salamone descobriu que a melhor abordagem para este reforço é começar conversas em grupo para reconhe­cimento positivo, quando percebe que as práticas para tráfego seguro estão sendo usadas. Quando ela perce­be que um funcionário está deixando de executar a prá­tica de tráfego, ela dá seu parecer negativo em conver­sa individual com a pessoa e a reeduca em tempo real, fazendo com que o funcionário reitere as ferramentas e práticas padrão para minimização do tráfego no CC em seu local de trabalho.

“A gente corre tanto que pode ser mais fácil simples­mente entrar no CC para obter uma resposta ou sair dali para buscar um item necessário”, admite Salamone. “Utilizando as evidências que justificam a necessidade de um tráfego seguro, podemos ajudar um ao outro a lem­brar porque é tão imperativo minimizar o tráfego para proteção de nossos pacientes”.

1. Greene, L. Sumário Executivo da Associação de Profissionais em Controle de Infecção e Guia de Eliminação de Epidemiologia (An Executive Summary of the Association for Professionals in Infection Control and Epidemiology Elimination Guide). Periódico americano de Controle de Infecção. American Journal of Infection Control 2012: 40(4): 384-6. http://www.apic.org/Resource_/EliminationGuideForm/ 34e03612-APIC-Ortho-Guide.pdf

 

RECURSOS ADICIONAIS

Aprenda mais sobre este trabalho apresentado em pôs­teres de pesquisa.

http://www.eventscribe.com/2017/posters/aorn/ SplitViewer.asp?PID=NzA3ODY5ODIyNQ

Revisão: Práticas baseadas em evidências para controle de trá­fego da AORN no Guia por um ambiente de cuidados seguro, parte II. Conferência de Cirurgia Internacional & Expo na AORN 2017 (AORN’s evidence-based practices for traffic control in the Guideline for a safe environment of care, part II. at AORN’s 2017 Global Surgical Conference & Expo).

Fonte: AORN
Data da Publicação: 14 de Julho 2017
Tradução: SOBECC Nacional  



Área do Associado

Para se associar, atualizar pagamento e cadastro
Entrar