Estratégias para a Melhoria da Segurança do Paciente

A cultura de segurança deve ser promovida de modo constante. Ela se desenvolve ao longo do tempo e é aprendida, não acontecendo por meio de ações isoladas. Algum evento que atingiu o paciente deverá ser  discutido abertamente e esta discussão não deverá ter um caráter de crítica”.

 

Por *Dr. Antonio Capone Neto Nos Estados Unidos, eventos adversos evitáveis matam mais que acidentes de trânsito ou câncer de mama. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a falta de segurança do paciente é um problema de saúde pública. As razões para o mau desempenho em segurança incluem falta de formação profissional com foco em segurança, desenvolvimento de processos de trabalho, que não contemplam confiabilidade e segurança, sistemas de saúde, que não estão centrados no paciente e nos resultados, entre inúmeras outras.  A mudança deste panorama começa pela definição de segurança do paciente como uma prioridade estratégica e por uma liderança que se comporta de modo coerente e visível com esta prioridade.

A segurança do paciente deve ser vista como uma jornada, um caminho a ser trilhado, muitas vezes um caminho longo e difícil. Envolve múltiplas estratégias e inúmeras ações ou projetos, mas o primeiro passo é, sem dúvida, o comprometimento da alta liderança organizacional com a segurança do paciente. A partir desta definição de prioridade estratégica, os esforços de melhoria da segurança deverão ser estimulados e desenvolvidos em todos os níveis da organização e, claro, envolvendo todos os níveis de liderança. Em coerência com a priorização da segurança e entre inúmeras outras ações, deverá ser criado um sistema de notificação de eventos adversos para que se possa analisá-los e aprender com eles, oferecer treinamento na área de segurança do paciente para toda a equipe, criar grupos de trabalho que redesenhem os processos com foco na segurança, coletar e analisar indicadores que representem a segurança do paciente e estabelecer medidas que busquem melhorá-los.

Outras importantes ações são o mapeamento dos riscos de eventos adversos nas diversas áreas e a determinação de medidas preventivas, o desenvolvimento de uma cultura de segurança justa e transparente e o estímulo ao envolvimento dos pacientes e familiares nos seus respectivos tratamentos. A redução de eventos adversos que atingem os pacientes será o resultado deste conjunto de medidas em todas as áreas do hospital. Nesse contexto, um dos papeis da liderança é a remoção das barreiras para a viabilização dessas mudanças. A cultura de segurança deve ser promovida de modo constante. Ela se desenvolve ao longo do tempo e é aprendida, não acontecendo por ações isoladas. Algum evento que atingiu o paciente deverá ser discutido abertamente e esta discussão não deverá ter um caráter de crítica, mas de aprendizado para que não mais aconteça. As pessoas deverão se sentir seguras para expressar preocupações quanto ao tratamento oferecido ao paciente, de interromper procedimentos que põem em risco sua vida, de não permitir que a hierarquia de cargos ou funções prejudique o trabalho em equipe. Em resumo, é preciso múltiplas estratégias para vencer a resistência às mudanças relativas às práticas seguras. Entre elas, ter uma liderança comprometida com a segurança e com a transparência, oferecer treinamentos em melhoria de qualidade e segurança, envolver os profissionais de saúde nos projetos de melhoria, desenvolver uma cultura de segurança onde transparência seja central. Além disto, desenvolver uma política de cuidados que sejam centrados nos pacientes e não nos profissionais da saúde.



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